Manoel Alves
Contar um pouco da história do empresário sangue bom Valdeir Nunes dos Santos, o China, como é conhecido por muitos no Espírito Santo, é falar sobre a história de um homem de visão futurista, um desbravador, um visionário que nasceu no interior do Espírito Santo, trabalhou no campo, foi cobrador de ônibus, motorista, comerciante e hoje é dono do maior complexo turístico do Espírito Santo, o Chica Park Eco Resort, localizado em Pedra Azul, Domingos Martins, no berço das montanhas capixabas.
Hoje, com 75 anos, o empresário bem sucedido, gente boa de dialogo fácil e prazeroso, nasceu em Córrego da Onça, entre São Domingos do Norte e próximo a Águia Branca, aquela localidade na época pertencia à Colatina, a cerca de 180 KM da capital, Vitória. Ali ele trabalhou no campo até aos 14 anos, e os últimos quatro antes de completar 18, trabalhou a noite em bar em São Domingos do Norte, (onde morava) quando então mudou-se para Vitória.
Após completar 18 anos Valdeir Nunes, veio para Vitória, onde conseguiu seu primeiro emprego como cobrador de ônibus na Itapemirim. Em 70 a Águia Branca comprou algumas linhas para operar no interior do estado, quando ele foi transferido para essa nova empresa. Na Águia Branca ele trabalhou até 75, sendo que de 73 a 75 no setor de cargas e encomendas no antigo Terminal Rodoviário de Vitória, no Parque Moscoso.

A história da cadeira
“Eu sempre gosto de contar a história da cadeira, porque acredito que muita coisa na minha vida começou ali.
Naquela época, eu trabalhava no balcão de cargas e encomendas. Minha função era anotar as mercadorias que chegavam e as que saíam. Eu poderia simplesmente ficar sentado, fazendo o meu trabalho e esperando os clientes.
Mas eu sempre fui muito ativo e nunca gostei de ficar parado. Alguns clientes chegavam com muitas encomendas e precisavam ir várias vezes até o carro para buscá-las. Quando eu via aquilo, me levantava da cadeira e ia ajudar. Com o tempo, eu já conhecia alguns deles. Quando chegavam, antes mesmo de pedirem, eu já estava de pé.
E hoje eu percebo que o segredo estava justamente ali: na atitude de levantar para servir.
Muita gente poderia pensar: “Não vou fazer isso, porque não recebo para isso. Não é minha obrigação.” Mas esse tipo de pensamento pode fazer a gente perder grandes oportunidades de crescer.
Quando você desenvolve o desejo de servir, começa também a descobrir a alegria de fazer um bom atendimento. E um bom atendimento abre portas.
Ninguém nunca me ensinou isso. Não aprendi nos bancos escolares. Foi algo que nasceu dentro de mim e foi aparecendo à medida que eu tinha vontade de servir e fazer um pouco mais do que esperavam de mim.
E foi exatamente isso que abriu a minha primeira grande porta.
Um daqueles clientes gostou do meu jeito de trabalhar e me convidou para trabalhar com ele. Eu disse que iria, mas queria trabalhar como motorista. Foi assim que fui para a Itabira Representações.
Os vendedores rodavam o interior fazendo as vendas e eu fazia as entregas. Como sempre gostei de vendas, comecei a levar algumas mercadorias a mais. Chegava ao cliente e perguntava se estava faltando alguma coisa. E quase sempre estava.
Quando não tinha entrega para fazer, também não ficava parado. Ia para o depósito, ajudava a separar as mercadorias e aproveitava para conhecer os produtos.
Ninguém me mandava fazer aquilo.
Eu fazia porque queria aprender.

Seis meses depois, me tornei vendedor. Ganhei um Fuscão da empresa e comecei a rodar o interior vendendo.
Depois veio a vontade de ter o meu próprio negócio. Comecei pequeno, com uma loja de ferramentas. Não tinha grandes recursos, mas tinha vontade de trabalhar e de fazer dar certo.
A caminhada continuou e, anos depois, surgiu o China Park, que cresceu, atravessou gerações e se tornou uma tradição no Espírito Santo.
Mas quando a gente conta a história depois que as coisas deram certo, pode parecer que foi tudo fácil.
E não foi.
Minha vida foi cheia de desafios, dificuldades e momentos em que foi preciso começar de novo. Muitas coisas não aconteceram como eu esperava. Algumas vezes foi necessário mudar o caminho, reconstruir e recomeçar.
Mas uma coisa eu nunca pensei: desistir.
Sempre acreditei que, diante de uma dificuldade, era preciso ter atitude e seguir em frente. Se não dava de um jeito, tentava de outro. Se fosse preciso começar novamente, começava.
E, entre as muitas coisas que aprendi durante a vida, existem três que faço questão de destacar.
A primeira: quando você considera que alguma coisa é realmente muito importante para você, não terceirize. Faça você mesmo. Assuma a responsabilidade.
A segunda: é melhor dar do que receber. Servir, ajudar e fazer pelo outro sempre me trouxe muito mais do que eu poderia imaginar.
E a terceira: ninguém compra fracasso. As pessoas compram sucesso, compram vitória.
Isso não significa que você não vai fracassar. Eu fracassei, errei e precisei recomeçar muitas vezes. Significa que você não pode se apresentar para a vida como um coitado, derrotado pelas circunstâncias, esperando que alguém tenha pena de você e lhe dê valor.
Você precisa acreditar novamente, levantar e seguir.
Cultive o hábito das coisas positivas.
Talvez por isso a história daquela cadeira ainda diga tanto sobre a minha vida.
Porque eu poderia ter ficado sentado naquele primeiro emprego. Poderia ter feito somente aquilo que era minha obrigação e pensado: “Eu não recebo para fazer mais do que isso.”
Mas eu escolhi me levantar.
Eu me levantei para servir.
E, olhando para tudo o que vivi, percebo que precisei fazer essa mesma escolha muitas outras vezes.
Levantar para servir.
Levantar diante das dificuldades.
Levantar depois de uma perda.
Levantar quando alguma coisa não dava certo.
E ter coragem para começar outra vez.
Por isso, se eu pudesse deixar um conselho para quem está começando ou para quem está passando por um momento difícil, seria o mesmo que aprendi lá atrás:
Levante-se da sua cadeira.
“Não espere as coisas acontecerem. Não faça apenas aquilo que esperam de você. Sirva. Trabalhe. Aprenda. Tenha atitude. Cultive pensamentos positivos e não tenha medo de começar novamente.
Porque talvez a oportunidade que vai mudar a sua vida esteja justamente do outro lado de uma atitude que ninguém mandou você tomar.
Às vezes, tudo começa quando você decide se levantar da cadeira”.
Valdeir Nunes dos Santos
Nos anos 80 montou o China Tem, Máquinas e Ferramentas.Ali atuou neste seguimento até 97. Antes, porém, em 94, ele já havia comprado um sitio no interior de Domingos Martins, onde hoje é o complexo China Park Eco Resort. “Quando comprei o sítio, muitos me chamavam de doido por comprar um terreno no meio do nada. Comecei a criar peixe e as pessoas sempre pedindo para pescar, foi quando pensei, vou transformar isso num negócio e passei a cobrar para pescarem. As pessoas vinham pescar, ficavam em barracas. Daí, queriam comer, então montamos uma lanchonete. Primeiro criamos o Pesque & Pague do China, depois Parque do China e em 98 construímos os 04 primeiros chalés. Em 99 foi inaugurado o parque, cujo o teleférico era o chamariz”, afirma Valdeir Nunes.





A partir do ano 2000 aquele homem do interior apaixonado por roça que já havia descoberto o dom para o comércio, se descobriu também um empreendedor nato, e a partir daí, seu empreendimento só foi ampliando cada ano mais. “2001 tínhamos 20 chalés,2005 40 chalés, em 2008 conseguimos o asfalto no trecho de acesso ao complexo e continuamos expandindo. Em 2012, já tínhamos 80 unidades de hospedagem e contávamos com 70 colaboradores. Ainda em 2012, através de uma conversa com Marcus Vicente (ex-secretário de Estado), que na época era Presidente da Federação Capixaba, eu perguntei o que ele achava eu construir no China Park para um Cetro de Treinamento no ES, e ele falou comigo, vou levar a ideia na CBF. Foi quando recebemos uma delegação da CBF, que nos disse o seguinte; caso você queira montar um CT -Centro de Treinamento, é necessário fazer uma série de investimentos em infraestrutura para que pudéssemos receber delegações da Copa do Mundo de Futebol que seria realizada no Brasil em 2014.Foi quando eu aceitei o desafio e comecei a realizar as mudanças que me pontuaram. Na época procurei o Bandes (Banco de Desenvolvimento do Estado) onde obtive um importante apoio e suporte de R$3 milhões, vendendo condomínio apurei mais R$7 milhões e totalizamos um investimento de cerca de R$10 milhões em infraestrutura, (CT e mais 40 apartamentos) e a partir daí tudo começou a mudar. Em 2015 já tínhamos 120 unidades de hospedagem”, afirma Valdeir.

A Copa de 2014
“Em 2013, a FIFA aprovou nossas instalações, tanto de hospedagem como o campo de futebol oficial padrão FIFA. Com a Copa, e nossa estrutura servindo como base para concentração de seleções, ganhamos muita mídia espontânea. Cada helicóptero que baixava aqui tinha uma televisão, e isso nos deu muita visibilidade. Ainda em 2015, já demos início ao projeto de resort. Em 2025, fomos aprovados como resort e em 26 passamos a operar como China Park Eco Resort. Aqui somos um hotel família, tudo aqui é pensado na família, não somos hotel de luxo, somos hotel da família. Hoje contamos com 250 unidades de hospedagem e 220 colaboradores. Durante toda essa trajetória pude contar com total apoio dos meus filhos Vânia, Tainá e Felipe, que estão comigo desde o início e praticamente cresceram aqui dentro. Meus filhos são meu orgulho. Eles vestiram a camisa do projeto e me ajudam tocar o empreendimento. O Felipe é diretor geral, a Vânia diretora comercial e a Tainá diretora financeira. E me sinto muito privilegiado em ter meus filhos trabalhando comigo, é um legado que continua. Eles assumiram e assumiram com muita competência. Eles fazem o trabalho com o carinho e mesmo amor que sempre trabalhamos. Não vendemos hospedagem, vendemos experiencia”, finaliza Valdeir Nunes dos Santos, o China, como é carinhosamente conhecido, o homem que de cobrador de ônibus virou o dono do maior complexo turístico do Espírito Santo e é, sem dúvida, a maior e melhor referência no turismo capixaba.
O homem por trás do China
“Todos conhecem o China. Alguns conhecem o Valdeir. Mas nós, os filhos, temos o privilégio de conhecer o homem por trás de toda essa história — e a felicidade de poder chamá-lo de pai.
Temos um orgulho imenso de sua trajetória e, principalmente, do ser humano que existe por trás do empreendedor visionário, determinado e cheio de coragem que tantas pessoas admiram.
Para nós, ele sempre foi muito mais.
É nosso exemplo diário de dedicação, hombridade, constância e trabalho. Um homem justo, amigo, extremamente humano, que jamais se esqueceu de onde veio. Que honra sua origem simples e humilde e que, talvez justamente por conhecer tão bem o valor de cada conquista, sabe agradecer e celebrar cada uma delas.
Eu sempre brinco que meu pai tem mais disposição e vontade de fazer acontecer do que todos os filhos juntos — e não deixa de ser verdade! (risos)
Ele é animado, gosta de estar cercado de pessoas e adora contar um bom “causo”. E nós rimos, mesmo quando percebemos, logo nas primeiras palavras, que aquela história já foi contada algumas — ou muitas — vezes.
Mas é assim que gostamos dele.
Por trás desse jeito alegre existe um homem extremamente comprometido com tudo o que assume. Com seus negócios, com suas responsabilidades e, acima de tudo, com os papéis que a vida lhe deu: marido, pai, avô e bisavô.
Meu pai nunca soube fazer nada pela metade. Em tudo a que se propôs, procurou fazer a diferença. E talvez por isso sempre tenha exigido tanto de nós também. Ele nos ensinou que, independentemente de onde estejamos ou da posição que ocupemos, devemos sempre entregar o nosso melhor.

Mais do que construir negócios, ele construiu valores.
Ensinou-nos a temer e confiar em Deus, a sermos gratos, justos, a respeitar as pessoas e a nunca esperar que nossos sonhos simplesmente aconteçam. É preciso trabalhar, persistir e correr atrás deles.
Eu poderia passar horas escrevendo sobre meu pai e ainda assim faltariam palavras e histórias. Mas, se precisasse resumir o homem que conhecemos dentro de casa, diria que ele é alguém fiel aos seus princípios, comprometido com seus objetivos, profundamente humano e que, apesar de tudo o que conquistou, preservou uma das suas maiores virtudes: a humildade.
E talvez esse seja um dos seus maiores legados.
Não apenas tudo aquilo que construiu, mas a maneira como construiu. As pessoas que levou consigo, a família que formou, os valores que nos transmitiu e as marcas que vem deixando por onde passa.
Peço a Deus que continue abençoando sua vida, iluminando sua mente e lhe dando saúde — e, embora disposição seja algo que definitivamente nunca lhe faltou, que Ele lhe dê ainda mais para continuar realizando seus sonhos.
E saiba, pai: nós te amamos profundamente.
Nos orgulhamos de tudo o que você fez, de tudo o que faz e de tudo o que ainda fará. Por nós, pela nossa família, pelos nossos negócios, pelas Montanhas Capixabas e pelo Espírito Santo.
Para muitos, você é o China. Para outros, Valdeir. Para nós, existe um título ainda maior do que todos esses.
Você é o nosso pai.
E que orgulho nós temos disso.
Você é fera. Você é gigante.
E é nosso.
Por Vânia Santos e em nome de todos seus filhos, Vagner, Filipe, Talita, Tainá e toda família.
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