Praia do Morro, hotelaria de Guarapari registra baixa ocupação em julho. Foto Manoel Alves
Manoel Alves
Mesmo Guarapari sendo o cartão postal do turismo de praia do Espirito Santo, mesmo a administração municipal gastando milhões com eventos, mesmo o município realizando inúmeros eventos em parceria com o Governo do Estado, fez com que a hotelaria do principal balneário capixaba tivesse uma boa ocupação neste último mês de julho.
Buscando entender o que pode estar acontecendo para que haja essa queda na ocupação hoteleira, fomos ouvir quem mais entende do assunto, os próprios hoteleiros. Quanto a ocupação as respostas de todos são idênticas “ocupação muito abaixo do esperado para o período se comparado com anos anteriores”.
Para Adriana Marques, Presidente da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (A.H.T.G), vários fatores contribuíram para esses índices tão baixos, citando como exemplo o crescimento imobiliário que cresceu desordenadamente nos últimos anos e que oferece muitas opções para aluguel.
“São vários fatores, Guarapari atraiu durante anos investimentos apenas no setor imobiliário, o setor hoteleiro está estagnado há anos com poucos investimentos, movimento inverso de cidades turísticas, devido a cidade ter se tornado pouco atrativa para a hotelaria.
Eu espero que o mínimo de ordenamento anunciado pela nova gestão aconteça, assim como os investimentos sendo feitos na promoção do estado traga investimentos nesse setor tornando mais atrativo pela grande cadeia que movimenta o turismo, Operadoras, Agências, OTAS, que são grandes divulgadoras dos destinos consolidados”, diz Adriana.

Para a Presidente da A.H.T.G tanto o poder público quanto a iniciativa privada, precisam avaliarem o turismo de Guarapari. “São vários fatores tanto no setor público como do próprio empresariado. Melhora de equipamentos turístico, maior participação nesse mercado digitalizado, atrair novos investimentos no setor, mas se não houver ordenamento não existe motivação. Guarapari tem 45 mil imóveis fechados que abrem no verão e feriados que também precisam se inserir no mercado de forma mais responsável, o que acontece no verão vira vitrine para o ano inteiro. Temos uma cidade que acha normal em um imóvel que foi projetado para 5 pessoas colocarem 10. Isso impacta de forma negativa o destino.
Por outro lado, temos várias coisas que ainda não trouxeram o resultado necessário como areias monazíticas, turismo religioso, rota das baleias, mergulho, Guarapari é uma cidade ímpar”, afirma.
Adriana continua: “Existe uma preocupação da prefeitura em realizar vários eventos, o que precisamos rever e quais valem a pena. Não adianta fazer muita coisa parecida. O Jubs esse ano foi ótimo, visibilidade, ocupação ordenada, recolha de impostos, movimentou a cadeia produtiva do turismo. É disso que precisamos”, finaliza Adriana.
Para André Federici Mendes, da Pousada Enseada Verde, localizada no balneário de Meaípe, a ocupação de julho foi muito aquém do esperado para o período. “A Pousada Enseada Verde fechou o mês de julho de 2026 com uma taxa média de ocupação de 25%. O índice reflete o movimento de hóspedes no estabelecimento durante as férias escolares e a temporada de inverno na região de Guarapari. O número serve como base para o planejamento estratégico da pousada, que foca agora em ações de captação para os fins de semana e feriados do segundo semestre. Como te falei, muito fraco “diz André.

Para Romildo Alves Bino, do Hotur Hotel, essa queda na ocupação já vem ocorrendo nos últimos dois anos. “De dois anos para cá só vem caindo a ocupação no mês de julho. Esse ano, não sei se por ser ano de eleição, a copa, mas somente no último final de semana do mês tivemos uma pequena ocupação. Quando era Esquina da Cultura, as férias eram bem melhores, agora com Festival de Inverno, não tivemos ocupação para o evento”, afirma Romildo.

Um dos hoteleiros que mais vende Guarapari e conhece tudo do turismo nacional, o experiente Gustavo Guimarães, do Guarapousada, fala sobre a ocupação de julho. “Infelizmente, por estarmos num ano de copa, eleição, o turismo tem atravessado um desafio em nossas ocupações. E Julho em especial, no Geral, mesmo com Festival de Inverno, nossa ocupação ficou muito abaixo do esperado. Alguns hotéis que trabalham com grupos, tiveram uma ocupação razoável, mas a grande maioria ficou com uma taxa de ocupação bem abaixo do que foi o ano passado, uma queda em comparação ao ano passado acima de 30%.Acho que custo de combustível e o custo do aéreo também pode ter contribuído para essa queda na ocupação hoteleira”, garante Gustavo Guimarães.

A Pousada & Spa Serra Negra, também registrou queda na ocupação. “Podemos observar que a cidade teve um fluxo bom de veranista. Mas, isso não reflete na ocupação. Se comparado ao ano passado, tivemos uma queda em nossa ocupação”, diz Pedro Ferreira.
Secretário de turismo acredita que o preço do combustível pode ser o responsável
O secretário de Turismo de Guarapari Fernando Otávio acredita que o fator preço do combustível pode ser o grande responsável pela baixa na ocupação hoteleira neste mês de julho.
“Guarapari vive o mesmo problema do Turismo do ES que é a demanda de um só mercado – Turismo Rodoviário de proximidade. Vivemos de um turismo de classe média do Leste de Minas e Norte do RJ em um raio de 500km que sofre com inflação, preço dos combustíveis e estradas de péssima qualidade. Soma-se à um inverno “de verdade” , copa do mundo e eleições.
Mercados que trabalham com operadoras, mercados nacionais e internacionais vêm crescendo a movimentação do turismo mesmo nestes momentos de incerteza econômica.
Precisamos diversificar o turismo, que é um trabalho que a prefeitura vem fazendo através da parceria essencial do Governo Estadual e SEBRAE-ES, com participação em feiras nacionais e principalmente o trabalho com o foco na Argentina, onde Guarapari é o principal destino. Porém a Hotelaria tem que fazer sua parte. Dos mais de 100 hotéis e pousadas da Guarapari, menos de 50% tem o Cadastur Federal”, afirma o secretário.
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