Desde os anos 90, quando comecei acompanhar o turismo de Guarapari, do e estado e do trade nacional, que se discutia entre comerciantes, empresários, políticos e profissionais liberais “o que falta para o turismo de Guarapari?”. Desde aquela época, as respostas eram sempre as mesmas: falta profissionalizar e qualificar nossa mão de obra, criar novos produtos, novas opções além do turismo de praia, explorar o turismo e não o turista, regulamentar as casas de aluguel de temporada, criar uma Secretaria de Turismo (de verdade), com uma equipe profissional, orçamento e autonomia para fazer.
Guarapari foi crescendo no decorrer dos anos e nosso turismo nada de ser levado a sério. Assim como no estado, a tal Secretaria de Turismo sempre serviu para nomear um político amigo que perdeu a eleição ou para cumprir um acordo de campanha. Pouca coisa, ou quase nada, mudou em 30 anos.
Muitos sonham com uma Guarapari como cidade turística de verdade, recebendo TURISTAS e não apenas veranistas. Apenas sonhos.
Nos últimos anos com incentivo da administração municipal e do Governo do Estado, foi criada como opção fora do turismo de praia, a Rota da Ferradura, que hoje é uma referência para o turismo do Espírito Santo. Fora a opção da rota, o que o veranista faz em Guarapari num dia de chuva? Isso mesmo, NADA! E o que temos de evento que de fato contribui para com turismo e com a cidade é o “Esquina da Cultura”, que por infantilidade política mudaram o nome do evento. Esse é um evento que atrai um público consumidor, atrai famílias que se hospedam na cidade, que almoçam e jantam em restaurantes. É esse público que movimenta a economia local e não turismo de farofa.
Observando as ações da atual administração de Guarapari, podemos dizer que “Guarapari aposta no turismo de farofa”. O abandono da cidade como um todo e os eventos realizados, com exceção do carnaval do centro com desfile de escolas de samba e blocos, a maioria dos eventos é o chamado “pão e circo”, que atrai apenas farofa da periferia dos municípios vizinhos. Será que a atual gestão acha que juntar um aglomerado pessoas, a maioria já bêbadas, na frente de um palco é promover o turismo de Guarapari? Se estão apostando no turismo de farofa o caminho é esse mesmo. Um palco em cada esquina com música baiana e pra fechar, trio-elétrico. Afina, o que importa é o contrato.
Será que uma administração que parece ter como fogo ‘’ adesão à Ata”, acredita que esse turismo de farofa irá melhorar a economia de Guarapari? Será que essas pessoas que ficam em frente a um palco de shows fazendo número para a Prefeitura postar em rede social achando que estão abafando, são elas que irão adquirir os inúmeros imóveis de alto padrão que estão sendo construídos em Guarapari?
Se a gestão pública de Guarapari ainda não sabe, o turismo de farofa não traz receita para o município, muito pelo contrário, espanta o turista consumidor, aquele empresário que vem em família,se hospeda nos hotéis e consomem nos restaurantes da cidade gerando emprego e renda. Será que o turista de farofa vai adquirir um apartamento na Praia do Morro, gerar receita com ITBI e pagar IPTU com aumento absurdo que teve? Claro que não.
Uma vez eu ouvir de Caio Luiz de Carvalho, que foi Presidente da Embratur e Ministro do Turismo, que uma cidade para receber bem o turista, primeiro o gestor público e o morador deve gostar da cidade, mantendo a limpa e bem cuidada, o que não parece ser a atual realidade de Guarapari. Nossa cidade é um matagal só. Até a Praia do Morro, o bairro que mais paga IPTU em Guarapari virou uma mata. E isso, não é apenas incompetência, é desrespeito para com o cidadão que paga seu IPTU em dia, para com o empresário que investiu na cidade, para com o turista que se programou para passar suas férias com a família em Guarapari.
Quantos eventos a administração realizou na Rota da Ferradura para incentivar os empresários que fizeram e fazem aquela rota ser um roteiro turístico sozinhos? Nenhum. (Assim como gestão anterior também não fez). Pelo contrário, mato e buracos tomaram conta de toda a rota. Um pórtico de chegada à Buenos Aires, que estava em obra na gestão passada está abandonado porque a imaturidade e picuinha política não permite que uma obra de valor financeiro insignificante seja a concluída.
Até quando iremos viver de pão e circo, de adesão a Atas, de aluguel de palco e tendas? E aquele cidadão que mora no final da rua? E aquele empresário que investiu milhões em Guarapari? E a construção civil? Será que turismo de farofa com trio-elétrico valoriza os imóveis? Se turismo de farofa trouxesse receita, Piúma, teria o maior PIB do estado.
Viva o turismo de farofa. Viva Guarapari!

Manoel Alves é Diretor/Editor do Jornal Primeira Página, Revista TEMA Turismo & Mercados e portal Imprensa Capixaba.
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