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Os benefícios terapêuticos das areias monazíticas de Guarapari

 Carlos Trindade

   Guarapari é bonita por natureza e suas lindas praias atraem milhares de turistas todos os anos. As praias são o que há de melhor como lazer e entretenimento. São inúmeras delas, cada uma com sua característica, seja para o surf, pesca de arremesso, águas calmas e cristalinas e para quem quer agitação e azararão. O Doutor Silva Mello (médico, cientista e escritor) cita em seu livro “Guarapari Maravilha da Natureza”, que as praias de Guarapari são uma dádiva da natureza e que o teor de minerais pesados existentes nas areias constituídas basicamente pela Monazita (Mineral de Terras Raras que contém Urânio e Tório), são benéficas no tratamento das polineurites, ou seja, são substâncias eficazes no tratamento de afecções articulares e reumáticas. De acordo com pesquisas realizadas pelo Dr. Silva Mello, há três tipos de areia em Guarapari: Ilmenita, Granada e Monazítica. A Ilmenita é de cor preta, constituída de titânio, ferro magnético e outros metais. A Granada, de cor vermelha, apresenta-se em pequenos cristais. Contém proporções variáveis de alumínio, ferro, cobre, cálcio, magnésio, manganês e outros metais. Já a Monazítica, de cor amarela, é um fosfato de diversos metais, que contém tório, de onde se extrai o hélio e outros elementos usados na desintegração atômica.

Praia da Areia Preta,década de 50

    Na Praia da Areia Preta, no centro da cidade, é comum encontrar turistas enterrados na areia, em busca da cura para casos de artrite, nevralgias, doenças musculares e perturbações digestivas. Estas “areias atômicas” também são ótimo remédio para o estresse.            

   Foi a partir desses estudos e das pesquisas do Dr. Antônio da Silva Mello que a cidade passou a ser atração turística e ficou conhecida nacionalmente e internacionalmente através dos artigos publicados pelo mesmo na revista O Cruzeiro e no Jornal do Brasil, além dos artigos publicados nas revistas internacionais especializadas no assunto cientifico.

Praia da Areia Preta nos anos 50

   Algumas pesquisas corroboradas pelo Dr. Paulo M. Figueiredo Filho, (chefe da Divisão de Engenharia de Processo, da Diretoria de Materiais e Ciclo do Combustível) confirma que o início do aproveitamento das Areias Monazíticas brasileira deu-se em 1886, quando o inglês John Gordon estabeleceu- se na jazida de Cumuruxatiba, no litoral sul do Estado da Bahia, município de Prado. A monazita (mineral de terras raras que contém urânio e tório) era processada na Europa para a produção de sais de tório e de terras raras, utilizados na fabricação de camisas incandescentes para a iluminação a gás. Com o advento da eletricidade, a partir da década de 20, houve um declínio no consumo de monazita, até que a pesquisa sobre energia atômica, na época da Segunda Guerra colocou novamente a monazita em evidência devido ao seu conteúdo de tório (elemento fértil).

Trabalhadores ensacando areia monazítica.

    Em 1951 o governo brasileiro proibiu a exportação de concentrados de monazita e procurou despertar o interesse de empresas em processar quimicamente esse concentrado no país. Os sais de terras raras poderiam ser exportados, enquanto o tório seria retido no Brasil. A partir de 1960 os direitos de lavra das jazidas de areias monazíticas foram adquiridos pela CNEN.

   Em 1967 a resolução 06/67 da CNEN modificou resoluções anteriores, obrigando a dissolução de rejeitos radioativos (urânio e tório) contidos nos minerais, nos concentrados, ou em outro produto industrial, consequentemente, liberando do monopólio estatal as atividades de pesquisa e lavra das areias monazíticas.

   A unidade de Buena, localizada no Município de São Francisco de Itabapoana, é a encarregada da prospecção e pesquisa, lavra, industrialização e comercialização, dos minerais pesados conhecidos popularmente como “Areias Monazíticas”.

   Para o beneficiamento das areias são realizados alguns procedimentos primeiro elas são processadas nas etapas relativas ao Tratamento Físico de Minérios, que incluem a lavra, a concentração hidro gravimétrica e a posterior separação seca (separação física por processos eletrostático, magnético e gravimétrico).

Extração de areia monazítica na Praia da Areia Preta na década de 60.

    Dessas areias pode-se obter importantes produtos, utilizados pela indústria, que são: Ilmenita (Titanato de Ferro) – Rutilo (Dióxido de Titânio) – Zirconita (Silicato de Zircônio )- Monazita (Fosfato de Terras Raras).

    No Brasil existem, em operação, apenas duas jazidas de minerais pesados. A de Buena e a de Mataraca, pertencente ao grupo Millenium.

    De acordo com estudos realizados no município de Guarapari a região possui areias monazíticas e, a radioatividade ambiental sempre foi maior do que os níveis normais, devido à presença, na superfície, de minérios contendo particularmente Tório e traços de Urânio. Durante muitas gerações os habitantes desse município já conviveram ao longo dos anos com uma radioatividade que alterou seus constituintes biológicos. Não que isso os prejudique ou venha prejudica-los, mas tornou-os resistentes a altos níveis de radiação, preparando dessa maneira as pessoas para superar no futuro o impasse da sua extinção como vida na Terra.

  O professor Marcelo Barcinski,( doutor em Biofísica pela UFRJ. Criou a divisão de Medicina Experimental e a Pós-graduação em Oncologia no Instituto Nacional do Câncer. Especializado em Imunologia Celular e chefe do laboratório de Radiobiologia Celular do Instituto de Biofísica da UFRJ), afirma que foram realizados há muito tempo vários testes em seu laboratório, onde foram analisadas amostras sanguíneas da população de Guarapari e, que até o momento, apesar de o estudo estar sendo realizado há quase 10 anos, os resultados obtidos não são definitivos para afirmar qualquer coisa contrária quanto a exposição dessas pessoas a radioatividade ambiental.

Praia das Castanheiras nos anos 50

  Se, por acaso, não se encontrar alterações, explica Marcelo, pode-se afirmar que pelo menos ao nível celular não há nenhuma consequência de se viver durante 10 anos numa área de radioatividade ambiental elevada. Se for positivo, o estudo deverá ser ampliado no sentido de serem procuradas as consequências dessas aberrações cromossômicas para o homem. Elas podem se manifestar no próprio indivíduo, ou na, sua segunda geração, se foram geneticamente transmissíveis. Então poderá ser feito um estudo de uma segunda geração de habitantes, em Guarapari.

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